Jornal A Voz da Póvoa - 01-05-2008 - Opinião EDIÇÃO 01/02/2012
Autor: Artur Queiroz
Todo o texto em http://www.vozdapovoa.com/index.asp?idEdicao=127&id=5545&idSeccao=1173&Action=noticia
"Escrevia Agualusa que são memórias do autor, segundo ele próprio, preso por espionagem. Mas na época falava-se de outras actividades ilegais. Não vou dizer quais, porque António Barreto tem razão, nunca houve acusação pública e Américo Botelho não foi julgado.
Agualusa diz que as 600 páginas de memórias foram escritas em maços de cigarros Hermínios, por sinal os mais pequenos que a Fábrica de Tabacos Ultramarina (FTU) então produzia. Botelho, para escrever 600 páginas de memórias nos Hermínios, precisava de pelo menos dez anos de produção da fábrica.
Américo Botelho chegou a Angola dois dias antes da independência, mas viu a cena descrita por António Barreto, “meses antes”. Das duas uma, ou Barreto aviou a prosa por encomenda ou além de leviano é mentiroso. Ele que escolha o que lhe fica melhor. Agualusa também fica mal no retrato do escritor em papel de Hermínios. José Manuel Fernandes, igualmente.
Vamos agora à parte fatal que deixa António Barreto, José Eduardo Agualusa, José Manuel Fernandes e, provavelmente, a Editora Vega com um problema sério para resolver.
Escreve António Barreto: “O livro revela os actos do Alto-Comissário Almirante Rosa Coutinho, o modo como serviu o MPLA”. Mais uma aldrabice. Rosa Coutinho saiu de Angola em Janeiro de 1975 e Américo Botelho chegou a Luanda em 9 de Novembro de 1975, quase um ano depois. Que memórias tem Botelho desse período? Nenhuma, como é óbvio."